terça-feira, 26 de julho de 2011

Ditados que foram ditados


Alguns ditados de que discordo:


"Contra fatos não existem argumentos" se fizer uma boa versão do fato, esse ditado cai.


"Pau que nasce torto, morre torto", caso o pau esteja na fogueira de São João, ele não morre torto, ele morre cinzas e o sujeito que recebeu esse ditado por aprontar, pode ter a sua recuperação, pois até o Fênix surgiu das cinzas.


"Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura." O difícil é encontrar esse estado físico de mole da água. Só sei que a vida não é mole não.


Lógico que tudo isso que falei é uma brincadeira. E que os ditados populares fazem parte de nossa vida. É bem verdade que uns pela repetição até nos cansam, mas fazem parte de nossa cultura.


Afinal, "a voz do povo é a voz de Deus", mas se o povo ficar afônico ou mudo, vocês acham que Deus vai deixar de falar?


Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

domingo, 24 de julho de 2011

Alfabeto grego de sentimentos




Os meus sonhos mais honestos foram desmentidos pela minha convicção de viver envolto em ilusões.
As minhas realidades mais coerentes foram desertoras no campo visual da cegueira cordial.
Aprendi que a superação não é apenas uma palavra em um dicionário e, que dois mais dois não são quatro, quando se usa a matemática poética.
A dor rima com amor, mas para amar aprendi que a dor rima também com calor e, que existe uma cortina de calor em mim.
O calor que se dissipa de minhas palavras, das minhas veias e que alimenta a minha esperança, que se precipta ao encontrar o frio de meu coração.
O coração que me deu de presente o que sou, o meu ser e o meu viver. O coração que me afaga ao encostar a minha face no travesseiro, pois ouço o seu ressoar presente e consistente a me falar que está ali.
Já escrevi muitos textos sem sentido ou até textos desconexos. Quem sabe este não seria um deles? Que me importa...
Os textos são a síntese das profecias mais desconexas, com as quais já me importei...
As profecias a que tanto temo, mas que insistem em me guiar.
A minha vida é uma profecia de Deus.
E eu sou a intulação intitulante das bençãos de Deus.
E tenho a plena consciência que não é preciso entender tudo o que se fala, porém é importante entender tudo o que se sente, pois o meu coração traduz um alfabeto grego de sentimentos...

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

http://www.youtube.com/watch?v=DsvhdWr0wFE

domingo, 10 de julho de 2011

Beleza? Maluco-beleza?!

Têm certos momentos da vida, em que nós deixamos a vida tocar em frente. Somos embreagados com os caminhos de uma caminhada alucinante. Topamos com pessoas e com sonhos psicodélicos.

Fitamos os detalhes de um tempo ilusório. Fingimos o que nem mesmo sabemos o quê. Fantasiamos na mente o que nos parece realidade. Atuamos em um cenário de contradições. Vemos cores transparentes. Ouvimos sons de outro mundo. Vemos discos-voadores. Encantamos e somos encantados, porque no nosso íntimo temos um pouco de malucos-beleza.

Por isso, eu curto neste momento... Raul Seixas...

http://www.youtube.com/watch?v=sP4mhUZoPyk&feature=related

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

sábado, 9 de julho de 2011

Alta filosofia



Dois amigos se encontram no cafezinho da esquina e começam a falar sobre a vida.

Um deles, bem mal-humorado, dirigiu a palavra ao outro, um gordinho sorridente de 1,5 m de altura mais ou menos.

O de mal-humor disse:

Rapaz, a minha vida é só problema: a minha mulher é gastadeira, os meus filhos só me dão desgosto, o meu chefe não me dá aumento e até meu cachorro nem sequer balança o rabo quando me ver. Estou vendo todas as portas se fecharem para mim.

O gordinho sapeca disse:

_Calma, rapaz, quando se fechar uma porta para você, feche também a porta do seu quarto e ligue o ar-condicionado. Esfrie a cabeça meu velho!

_ Mas eu não tenho ar-condicionado no meu quarto._ disparou o reclamão.

Aí, o meio metro bricalhão disse:

_ Então, entre dentro da geladeira...



Marco Valério Gomes Batista Gonçalves.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Olha o gol!


Havia um moleque na favela do Caos, o qual, todos os dias, ia espreitar o jogo de futebol, pelo lado de fora, no Clube dos Bambambans.

O seu sonho era jogar uma partida de futebol, naquele lindo estádio de grama impecável, pois o campo, em que ele era acostumado a jogar era de terra lá na sua comunidade.

Certa vez, ele, menino franzino, porém de olhar vívido e esperançoso, manifestou a sua vontade de jogar uma partida de futebol naquele campo elitizado, fechado e pouco receptivo a um dos jogadores bambambans, porém foi recepcionado com um não jocoso e desmerecedor. Aquele jogador de elite lhe disse:

- Olha moleque, vai dando o fora, pois tu não tens nem a bola, nem o campo, nem a minha equipe, muito menos o apito do nosso time, por isso te dou cartão vermelho...-falou um cara que se dizia um dos melhores do Bambambans Futebol Clube, o qual, em tempos passados, tinha recebido denúncias através dos noticiários de ter colocado soníforo na água de um time adversário, para ganhar o jogo.


O moleque foi embora, mas não baixou a cabeça. Ficou treinando no campo de sua comunidade e nunca perdeu a sua honra e dignidade.

Aos vinte anos, o moleque de antes foi descoberto por um "olheiro" e foi trabalhar em um grande time no exterior e por sinal está muito bem de vida, defendendo inclusive a seleção brasileira de futebol...

E, hoje, os que antes lhe renegavam, assistem à TV e gritam e vibram:

_Olha o gol!! Brasilllll....

E o gol é do moleque, o gol é de quem tem talento, persistência e vontade de vencer...

Essa estória contada, só me faz chegar a uma conclusão:

Tem campo para todo o mundo, só não tem para aqueles que não sabem driblar e fazer gol.

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

domingo, 3 de julho de 2011

Linda música, cantada com magia

A composição de uma música envolve várias emoções...

Talvez se os seres escutassem mais belas músicas, eles seriam mais felizes...

Os momentos felizes se escondem atrás das músicas...

Os pássaros compõem as suas próprias músicas, por isso eles são felizes...

Os anjos tocam suas trombetas nos céus...

Já eu, eu, bem eu escuto esta bela música:

http://www.youtube.com/watch?v=LsT9jJYIXG4&feature=related

Aplausos!!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dicas de comunicação e conexão



A comunicação é muito importante, desde pequenos nos comunicamos, pois quando éramos bebês, chorávamos ao estarmos com fome, com medo, com dor ou carentes de carinho, no intuito de termos alimento, proteção, recebermos assistência ou ganharmos afagos e mimos, respectivamente.

Ao crescermos, a comunicação se mostra também importantíssima, seja no trabalho, em casa, na rua... Cada pessoa tem uma forma peculiar de se comunicar, até mesmo os mais tímidos. Os nossos bichinhos estimação também têm suas formas peculiares de se comunicar, afinal reconhecia de longe o latido de meu querido cão pastor-alemão para sair de sua casinha.

Considero-me uma pessoa extrovertida, ao estar com pessoas próximas e familiares. Um dia, em um encontro familiar, teve uma brincadeira em que cada um tinha que admitir um defeito, em uma espécie de divulgação em público. Então,chegou a minha vez e disparei:

_ Pessoal, meu maior defeito (fazendo cara de suspense) é por que sou um pouco tímido demais... - todos os amigos e familiares riram.

Um livro muito interessante sobre o assunto e que estou lendo é "Todos se comunicam, poucos se conectam" de John C. Maxwell. Excelente livro!

O autor fala que para se conectar com os outros, além de ter o domínio no agir, pensar e sentir; tem de transparecer emoções reais, interessar-se fielmente com os outros, manifestar reações faciais condizentes com o que se fala e desenvolver o carisma, que, nada mais é que se preocupar com os ouvintes e lhes agregar e desenvolver os seus próprios valores, porque assim as pessoas podem até nem se lembrarem o que você disse ou fez, porém com certeza elas vão lembrar a sensação e o bem-estar de estar com você.

Com esse parágrafo anterior eu lhes disse uma síntese do que eu entendi o que seria conectividade. Abaixo eu utilizarei as dicas do próprio autor sobre o tema:

"Se tentar comunicar:

- algo que sei mas não sinto, minha comunicação não tem paixão;
- algo que sei, mas não faço, minha comunicação é teórica;
- algo que sinto, mas não sei, minha conexão é sem fundamento;
- algo que sinto, mas não faço, minha conexão é hipócrita;
- algo que faço, mas não sei, minha conexão é presunçosa;
- algo que faço, mas não sinto, minha conexão é mecânica.

Quando os componetes estão faltando, o resultado para mim como comunicador é a exaustão..."-define Jonh Maxwell.

Se alguém quiser o livro emprestado é só postar um comentário abaixo que terei o prazer em emprestar uma bela obra em benefício do seu sucesso... Agora, com uma condição são 2 vês: vai e volta...


Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

domingo, 26 de junho de 2011

Na cura, no soerguimento e até que a morte nos separe

Olho os telejornais, as revistas e afins, na atualidade, percebendo um tufão de reportagens desqualificando a figura do médico e de outros profissionais da saúde, após se iniciar a nível nacional uma mobilização geral, para melhores condições de trabalho e de valorização em nossas profissões.

Apesar de todo este turbilhão de notícias ruins, nesta semana, deparei-me com três fatos que me fizeram feliz, três histórias de pacientes.

Encontrei uma pessoa querida próxima de minha família, no início da semana, a qual obteve a cura de sua doença e foi tratada também por mim. Ela disse palavras lindas de agradecimento. Sou sincero fiquei bastante feliz com aquele momento e por sua cura.

Os dois outros fatos que me elevaram o meu estado de luz de alegria ocorreram ontem.

Um deles ocorreu por telefone, em que a esposa de um paciente, que tinha hanseníase e estava com um problema de circulação por uma obstrução arterial em coxa direita, por tabagismo crônico, ligou-me para dizer que foi realizada a cirurgia de revascularização do membro e o mesmo já estava andando, com a cicatrização da ferida operatória e com a volta do aquecimento da perna.

Nesse último caso, apenas facilitei os encaminhamentos para dar destino e solução para aquela situação e consegui. A alegria me invadiu o coração com o soerguimento de um paciente ao voltar a andar.

O outro fato foi o seguinte: estávamos eu e minha mãe em um restaurante, quando ouvi de duas pessoas um chamado por “Dr. Marco Valério”, virei-me e notava que eram semblantes que eu já tinha visto, mas que não me chegava à memória naquele instante. Então, conversando um pouco mais, veio à mente a história do paciente que tinha acompanhado há uns quatro anos, ainda no hospital universitário Lauro Wanderley.

Eram duas mulheres, a esposa do paciente e uma amiga, que com sorrisos nos rostos vieram falar comigo, como também agradecer do período que o seu ente esteve em minhas mãos e que diagnosticamos que o motivo da paraplegia do mesmo era um tumor pulmonar com metástase para coluna.

Essa última situação me chamou certa atenção, primeiro pelo tempo passado, e, segundo, que mesmo com a morte inevitável do paciente, ainda ficou naquela família o senso de gratidão pelo trabalho com afinco feito por um humilde funcionário, um reconhecimento feito mesmo com a morte daquele paciente querido que nos separou, mas que restou na lembrança dos que ficaram a gratidão, repito mais uma vez, a gratidão.

Encontro forças na minha profissão, também, através de orações e pensamentos positivos de vários pacientes e seus familiares espalhados pelo Brasil. Toda uma energia que nos chega com altivez e esperança, apesar de não ser uma mensagem ouvida, mas tenham certeza é uma mensagem sentida.

Contando os fatos, lembro-me de uma frase do músico Charlie Parker, que dizia: “Se você não viver o jazz, ele não sai do seu instrumento musical.”.
Aproveitando, a deixa de Charlie, concluo: “Se a gente não viver a Medicina, ela não sairá de nossa alma, na cura, no soerguimento e após a morte que nos separa.”.

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves (25/06/2011)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Abebe Bikila, uma história de vida

A primeira pergunta que os caros leitores estão fazendo é o que um campeão olímpico etíope está fazendo em um blog que se destina a falar da construção de um templo de sonhos e textos através das palavras?

Com o decorrer do meu texto, eu os explicarei, mas antes falarei um pouco desse atleta que se encontra no pódio. Ninguém o conhecia, nos Jogos de Roma, em 1960, quando se juntava a outros 35 participantes da maratona. A vida lhe pregou muita indiferença, pois como um pobre negro vindo de um país africano pobre concorrendo com tantos outros fortes poderia ganhar uma maratona? E detalhe impressionate: ele correu tal maratona DESCALÇO, literalmente descalço.

Aos 28 anos, Abebe Bikila não tinha experiência internacional, mas seu corpo estava pronto para corridas de longa distância. Costumava treinar na região de sua aldeia, a quase 2500m acima do nível do mar, o que lhe dava resistência muscular e orgânica.

Chegando em Roma, ao visitar o trajeto que percorreria posteriormente na maratona, avistou "A coluna de Axum", monumento roubado da Etiópia pelas tropas italianas, então, decidiu que a partir dali ele daria a arrancada para a vitória.

E assim fez. Mesmo descalço, com muita garra e heroísmo, aquele atleta franzino desafiava o palpite e a indiferença de todos, sendo o primeiro atleta africano negro a ganhar uma medalha de ouro olímpica.

Conseguiu também a façanha de ganhar em 1964, a maratona de Tóquio, mesmo ainda se recuperando de uma cirurgia de apendicite e depois de enfrentar problemas de perseguição em seu país, acusado de um complô militar. Com tudo isso, tornou-se o único a vencer duas maratonas olímpicas.

Em março de 1969, o maior maratonista olímpico sofreu um acidente de automóvel e ficou paralítico. Com os poucos movimentos que lhe restaram , ainda tentou competir em arco e flecha. Morreu em outubro de 1973, aos 41 anos de idade.

Lendo a história de Abikila no livro de Odir Cunha, chamado "Sonhos mais que possíveis", descobri que esse atleta lutador apesar de não ter o dom da escrita, deixou-nos a sua própria história escrita em seus feitos, por isso que dedico em sua memória este espaço merecido para falar de um exemplo a ser seguido, um exemplo a ser escrito em nossas vidas, pois futuramente o mundo nos lerá...

Acompanhem a história de Abebe Abikila, neste vídeo abaixo e se emocione!

http://www.youtube.com/watch?v=9pp1bcSC__k

Reflitam!

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os dez pequenos grandes fatos

Um fato não pode ser medido com números matemáticos com relação ao seu impacto a uma pessoa. Um pequeno fato pode ser sinônimo para alguém "humano" que se utiliza de vários fatos no cotidiano como algo corriqueiro, insignificante, e que não perde a posição de ser grande, quando está em debate a sua grandeza em pertubar a mente de uma vida, por isso eu coloco à disposição de todos os dez pequenos grandes fatos, que constatei através das lentes dos meus óculos.

Vamos lá:

1) Estar no restaurante, já no finalzinho de uma refeição, existe apenas um pedacinho último do filet no seu prato, com o qual você já está fazendo planos como vai ser o último deguste. Então, inadvertidamente, o garçom pensando que você já teria terminado, tira-lhe essa alegria, e leva o prato para cozinha.

2) Estar em casa, na hora do almoço, a exatamente meio-dia, ao se colocar a primeira colher da santa refeição na boca, o telefone toca. Sabe quem é? O pessoal do telemarketing querendo vender cartão de crédito...

3) Em direção ao trabalho, andando em lugar aberto, com toda a beleza de uma linda natureza de árvores, mas no transcurso, ser bombardeado por um pombo que joga um míssil exatamente na sua roupa...

4) Na estrada em manutenção, onde existem vários siga e pare: já pensou quando o período é de "siga" e exatamente quando você está passando, o guarda manda você parar e esperar para que os outros passem em sentido contrário?

5)Encontrar no elevador com um morador do edifício com o seu cãozinho, o cara solta um pum em transcurso e ainda joga a culpa no coitado do cachorro e o pior é que a pessoa ter que ir acompanhando a cinética do pum com o olfato.

6) Estar resfriado, e na horinha de soltar um espirro, no ápice do "ah, ahh, ahhh..." falta-nos o "tiiiimmm", ou seja, o espirro é interrompido e depois não se tem mais vontade...

7) Ao banho, todo ensabuado, dar um problema na bomba de água do edifício e falta água...

8)Ir para uma festa, em que uma pessoa está vestindo exatamente a mesma camisa sua. O pior não é nem isso, é vestir preto e branco em um bar e ser confudido com o garçom...

9)Pingar cloridrato de nafazolina (Sorine) no olho pensando ser colírio.

10)Aguentar birra e mal-educação dos filhos dos outros e ainda ter que disfarçar com um "eita, que menino esperto" em vez de um "eita, pestinha"...

É, meus amigos, acho que os meus óculos andam vendo fatos demais. Quem sabe ao trocar o grau deles eu venha ver muitos outros fatos, e assim aumentar essa lista de dez para mil...

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Romão e Joelita

Lá no sertão paraibano, houve uma grande história de amor entre a filha do coronel Marcolino, chamada Joelita, e o peão da fazenda, Romão.

Eles se apaixonaram perdidamente, fazendo com que,em todas as noites, Romão fosse visitar Joelita. Em uma das vezes ele diante a janela do quarto da moça disse:

_ Joelita, minha bichinha, minha flor de formosura do sertão, vem para os meus braços para a gente conhecer a natureza...

_ Romão, você de novo por aqui. Cuidado que painho está de olho em você... Não quero que você se arrisque por mim, meu amor.- disse com a voz melosa Joelita.

Depois de um beijo ardente, os dois trocaram juras de amor, foi quando Joelita disse:

_ Romão, como prova do meu amor, eu subi lá em cima da serra e coloquei em um pé de juazeiro um "RJ"...

_ Oxente, Joelita, pruquê você colocou o Rio de Janeiro lá?

_ Não, home de Deus, são as iniciais de nossos nomes...

_ Ah, sim... Agora, eu entendi.- disse Romão sorridente. E continuando as suas palavras disse:

_ Eu também tenho uma surpresa para você, pois quando fui lá na rua, tinha uma lojinha que tinha uma placa dizendo que marcava uma vida em uma pessoa. Então eu me aproximei de lá e era um loja de tatuagem. Aí, Joelita, o rapaz me disse que era moda agora os homens cabra-macho do sertão colocar o nome da amada nos pintos...Então, para mostrar todo o meu amor por você, eu enfrentei a dor até o último ponto final que ele fez da mensagem.

Neste momento, Joelita ficou com uma mistura de curiosidade, de espanto com aquilo tudo e falou:

_ Então, me mostra!

Romão, em um gesto intempestivo e orgulhoso com a sua ação, botou o bicho para fora.

_ Seu safado! Como você teve a coragem de fazer isso! Como é que você me trai com um outro homem...

_ Mas como meu amor? Outro homem? Que história é essa, Joelita?

_ Quem é esse JOEL que está escrito no seu pinto molinho?_ ela tava com muita raiva.

Romão começou rir:

_Eu te explico, daqui a cinco minutos, minha florzinha de mandacaru...

Quando Joelita começou a fazer as primeiras carícias em Romão, o documento do moço, que não era o RG, foi crescendo assustadoramente, igual aos preços dos combustíveis brasileiros, e em consequencia disso o nome JOEL foi se transformando em JOELITA, MEU GRANDE AMOR, MINHA VIDA, MINHA FLOR PERFUMADA, QUE AGORA EM DIANTE ESTARÁ SEMPRE PRESENTE NA LEMBRANÇA DESTE LOCAL. O letreiro foi se abrindo igual àquelas bandeiras gigantes de torcida organizada de futebol. Toda essa mensagem em uma só linha, diga de passagem. Pense num outdoor da gota serena!

Os dois naquela noite se amaram profundamente. Quando de repente um capataz do coronel pegou Romão com a filha dele. Romão, foi levado ao encontro do todo poderoso fazendeiro, que ao primeiro encontro de olhos e a par do assunto, disse:

_Cabra, safado, vamos capar este safado! Esta será sua condenação...

Os capangas pegaram a faca-peixeira, para realizar a ordem do Coronel, e perceberam que no pinto do rapaz tinha o nome de Joelita, fato comunicado ao todo poderoso, que ficou com mais ódio ainda, quando Romão disse:

_ Não, faça isso seu Coroné, pois como já dizia os ensinamentos dos mais véi se alguém passar a faca no nome de uma pessoa, ela morre durinha pouco tempo mais tarde...

O coronel refletiu e viu que o ensinamento realmente existia e para poupar a vida da filha determinou a suspensão do ato. Logo em seguida ele ordenou:

_ Então, cabra frouxo você terá que casar com Joelita, mas antes disso se não pode lhe capar, eu vou mandar arrancar a sua língua, como punição.

Romão, desesperado, chorando mais que goteira de telhado de pobre, argumentou:

_ Mas, coronel, eu num vou casar com sua filha, home, como é que vai ser na horinha do casório, quando o padre disser aquela resenha toda, como eu vou dar o "sim" sem língua, home de Deus...

_ É verdade, então suspende tudo e vamos logo providenciar o casório.

Tempos depois... Romão e Joelita se casaram, com direito a foguetões, bebidas e banquete.

Romão, com uma garrafa de cachaça na mão disse:

_ Toma um pouquinho, minha flor!- com a voz bêbeda de amor.

_Romão, isso demais é veneno, meu amor...

_ Mas, é um veneno tão bom...

Os dois se abraçaram e foram felizes lá para as bandas do sertão. Essa é uma estória que até mesmo Shakespeare e Ariano Suassuna pagariam caro para ler, pois "eu só sei que foi assim".


Marco Valério Gomes Batista Gonçalves.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Uma conversa entre amigos

Na semana passada, tive uma conversa com um amigo, lá em casa, chamado Lúcio Anneo Sêneca. Os mais próximos lhe chamam de Sêneca. Tal encontro só foi possível, pois abri o seu livro "Da tranquilidade da alma". Então, imaginei que estava a dialogar com esse grande pensador da Antiguidade.

_Senta aí, Sêneca! A casa é sua rapaz. - minha intenção com essas palavras era deixá-lo bem à vontade, para iniciarmos uma conversa.

_ Muito obrigado, Marco... - respondeu-me ele.

_ Sêneca, rapaz, me tire uma dúvida, o que você acha de as pessoas ultimamente falar tanta coisa e não fazerem o que falam? Uma total enganação...

_ Baseado em meus estudos, acredito ser melhor contemplar as próprias coisas e falar movido por elas, emitindo palavras adequadas aos fatos, de modo que, para onde quer que levem, o discurso siga esta espontaneidade.- falou-me ele com um ar de seriedade e contemplação.

_ Ah, meu nobre, quer dizer que em seus ensinamentos, você preza pela espontaneidade de nossas ações para evitar as preocupações do dia-a-dia?- pergunteio-o ansiosamente.

_Não me detendo em detalhes, atento para o fato de que, em minhas preocupações, sou acompanhado por certa timidez cheia de boas intenções. Temo me inclinar paulatinamente para elas ou, o que é mais preocupante, ficar sempre pendente e que talvez isso seja mais forte do que eu havia previsto. Isso porque as coisas costumeiras nos parecem familiares e sempre são julgadas de modo benevolente.

_ Pois é, Sêneca, rapaz, você falou bonito, concordo com tudo que você acabou de falar. Hoje em dia, para mim, a minha maior preocupação é ver que tem muita gente querendo ser o que não é, passando por cima dos outros a todo custo...

Sêneca, com seu semblante confiante me disse:

_ Penso que muitos poderiam ter chegado à sabedoria se não pensassem já serem sábios,se não tivessem dissimulado para si mesmo algumas coisas e se não tivessem passado por outras tantas com os olhos fechados.

_ Com relação, aos muitos e muitos seres do mundo que estão sofrendo neste momento, por várias causas distintas, Sêneca, qual seria a sua mensagem?

Após um suspiro intenso, ele disse:

_ Considera que os prisioneiros apenas no princípio se afligem com as algemas e os grilhões que impedem seus passos. Porém, quando resolvem não mais irritarem e se propõem a suportá-los, a necessidade lhes ensina a levá-los com fortaleza, e o costume, com facilidade. De fato, em qualquer gênero de vida, encontrarás distrações, compensações e deleites, desde que queiras avaliar com leves os teus males, em lugar de fazê-los insuportáveis.

_ Para encerrar a nossa conversa, me diz amigo Sêneca, uma mensagem final para que eu possa refletir nesta semana?

Ele me respondeu:

_ Lançando mão de uma imagem que expresse o que sinto, digo que não me cansa a tempestade, mas, sim, a náusea. Portanto, afasta o que quer que seja este mal e socorre ao náufrago que já avista a terra.

_ Valeu, Sêneca!- despedi-me dele, emocionado com tanta sabedoria.

Após a nossa conversa, pus de volta o livro do amigo na estante. Os seus escritos aqui colocados até pareciam que estavam falando comigo, pois seus ensinamentos são lições para toda uma vida...

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves.

Fonte: Sêneca, L. A. Da tranquilidade da alma, L&PM Editores, 2009.

sábado, 30 de abril de 2011

Quem nunca falou um "palavrão"?

É difícil alguém que durante a sua vida não passe por uma situação, em que temos a necessidade de manifestar a nossa raiva, a nossa indignação, através de algumas palavrinhas que terminaram recebendo o aumentativo e designadas de "palavrões'. A nossa língua nos presenteou com o "palavrão", ou melhor, não só a nossa língua, mas todas as outras para deliberar uma contrariedade intensa com relação à situação do nosso país, às condições de trabalho, aos desencontros amorosos...

Quem nunca disse um palavrão? Algumas pessoas já soltaram palavrões contidos, outros deliberados. Mas existem palavrões contidos? Bem, não sei se existem, porém inventei essa classificação agora, para classificar as pessoas que dizem raramente um palavrão, sem muita exposição pública, das pessoas que os disparam sem nenhum constrangimento em qualquer lugar.

Essa introdução (por favor, caros leitores, não coloquem malícia nessa palavra agora) é para mostrar que o palavrão faz parte de nossa língua, da nossa cultura e do nosso dia-a-dia, por isso, por mais que apredamos que falá-lo é feio, renegá-lo é fechar os olhos para nossa própria consciência.

Na revista Língua Portuguesa, de abril deste ano, editora Segmento, deparo-me com uma matéria "Palavrões e afins", que mostra a diversidade de tais palavras. Imaginem só que enquanto os idiomas inglês, italiano, francês, alemão, espanhol têm 9 mil expressões chulas em cada uma delas, nós falantes do português só dispomos de 3 mil obscenidades.

É de Mário Souto Maior o Dicionário do Palavrão e Termos afins, um dos 508 livros proibidos no Brasil após o ano de 64. Ele concluiu que o homem, o jovem e o pobre falam mais palavrões do que a mulher, o velho e o rico.

Segundo a matéria, mães e filhos são muito invocados nos palavrões. Só perdem para os maridos enganados. O primeiro livro sobre as gírias da língua portuguesa é Infermidade da Língua, de Manuel Joseph Paiva, publicado no século XVIII.

Abaixo, vou transcrever um trechinho da matéria:

"... a expressão "abrir as pernas" tinha no comércio o significado de ceder, como no sexo. Xibio, originalmente um diamante, consolidou-se para designar a vagina, que em latim era a bainha onde o soldado guardava a espada. Hoje, "espada" designa também o homem heterossexual. Aliás, é pretensão masculina designar seu orgão sexual a partir do latim caraculum, que quer dizer estaca, mas o marinheiro Cabral que avistou o Brasil estava na casa do caraculum, "na casa da estaca", na gávea, um lugar de castigo, sujeito ao frio, sol, chuva, tempestade!"

É, meus amigos, os palavrões estão soltos por aí. Afinal, quem nunca falou um "palavrão"? Ou vocês acham que em algum momento do casamento real do príncipe William com a bela Kate, na Inglaterra, naquela festança toda, no primeiro contra-tempo, que porventura ocorreu, não houve alguém que disparou um palavrãozinho?


Marco Valério Gomes Batista Gonçalves.


Fonte: Revista Língua Portuguesa, editora Segmento, abril, 2011.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A vassoura

Na cidade da imaginação, uma vassoura raivosa saiu pela rua, querendo descontar a sua raiva no primeiro que aparecesse. Ficou escondida e no primeiro passo que ouviu de um estranho, gritou bem alto, sem nem ver o outro:

_Que horror é você!

E o outro disse:

_ Prazer, senhora, eu sou o espelho...



Marco Valério Gomes Batista Gonçalves (escrito em agosto de 2005)

Ajustando ponteiros

Um bruxo jogou uma magia no mundo, fazendo com que todos os relógios e os movimentos solares se modificassem, havendo um caos na Terra.

A única opção era consultar o grande Mestre. Então, todos se dirigiram a ele e perguntaram:

_ Mestre, tu que tudo sabes, diz qual é a verdadeira hora, neste momento!

O Mestre disse:

_ Meus filhos, a verdadeira hora é a hora de ajustar os ponteiros e, seguir em frente... A resposta o tempo lhes dirá...

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

terça-feira, 19 de abril de 2011

O poema cupido



Uma música que me entrou no ouvido
Me fez chorar.
Uma poesia que me presenteou às retinas
Me fez sorrir.
Um perfume que senti
Me fez olhar o tempo.
E o vento que me tocou a pele
Me fez recordar de um momento.
O sono que abracei
Me fez acalento.
O beijo que testemunhei
Foi sedento.
A água, que bebi,
Me trouxe alívio.
E os lugares por onde andei
Me deram os passos.
E os passos com que andei
Me deram o caminho.
As asas em que voei
Me deram voo sereno.
E o céu onde eu pousei
Me deu um lindo poema.
E o poema que eu fiz
Me deu você.


Marco Valério G. B. Gonçalves.

domingo, 10 de abril de 2011

Baltasar Gracián, alguém o conhece?



Estou me referindo ao grande escritor espanhol do século XVII, Baltasar Gracián, nascido em Belmonte de Calatayud a 8 de janeiro de 1601.

Ingressou muito jovem na Companhia de Jesus e em 1641 já era pregador de renome. Seu estilo literário é baseado na sobriedade e concisão.

Uma de suas grandes obras é A Arte da Prudência, livro escrito em várias línguas, em que ele escreve vários aforismos, que são verdadeiras lições de vida. Acho que já li o livro umas quatro vezes de tão bom.

É uma pena que um escritor tão maravilhoso não seja conhecido nem lido por muita gente. Postarei um de seus aforismos referente a arte da comunicação, chamado "Possuir a arte da conversação", vejamos:

"É o que revela ser uma pessoa verdadeira. Nenhuma atividade humana exige mais atenção por ser a mais comum. É aqui que ganhamos ou perdemos. Requer siso escrever uma carta, que é a conversa refletida e escrita, e ainda mais conversar, pois a discrição é logo posta à prova. Os entendidos tomam o pulso da alma baseados na linguagem, e baseado nisso um sábio disse: "Fale, e será conhecido". Para alguns, a arte da conversação está em falar sem arte, deixando-a cair livremente, como a roupa. A ideia talvez seja válida quanto à conversa entre amigos. Mas, nos círculos mais elevados, a conversação deve ser mais formal, revelando a excelente substância da pessoa. Para que a conversa seja bem aceita, tem de se adaptar ao caráter e inteligência dos interlocutores. Não banque o censor de palavras - pois será tomado como um pedante gramático-, e muito menos o fiscal das opiniões- o que fará que seja evitado pelos demais, impedindo-o de se comunicar. Na conversa, a discrição é mais importante que a eloquência."

Esse aforismo foi escrito a cerca de quatro séculos atrás, porém ele continua vivo no nosso cotidiano. Até parecia que o Gracián estava prevendo os vários escritos atuais da "internet", com as redes de relacionamento, com a bloggosfera e etc.. Vale a pena ler o livro.

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves.


Fonte: Gracián, B. A arte da prudência. Ed. Martin Claret. São Paulo- SP, 2009.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Simplesmente nós...



Admirado com tua linda pessoa, vi uma alma de luz no meu caminho, uma flor de exuberante perfume. E andarilho, como sou, convidei-te a andar comigo, e de mãos dadas seguíamos um caminho chamado amor.

O meu pensamento se esvaia, à medida que um acesso de loucura me dominava. Senti um afago no rosto. Os sentimentos contidos, pouco a pouco, libertos com a abolição da escravidão, que me dizia ser feio deixar a razão de lado; eles todos se soltavam.

E em completa harmonia, abraçamo-nos fortemente, tu me chamavas baixinho, e o meu nome saia como um sussuro de uma ave em seu ninho. Os grilos eram os nossos cantores. A lua cheia curiosa a nos olhar pela janela. Não havia estrelas no céu. Acho que elas fugiram para que as únicas estrelas da noite fôssemos nós.

Toquei a tua pele de mansinho, vi teus olhos se fechar. Apoderava-me de teus cabelos e recebia licença em teu sorriso. Depois, uma lágrima correu do teu olhar. Perguntei o que tinha sido aquilo. E tu me responderas que não era nada não, que era o destino da paixão.

Em meio a lençóis, a timidez se desprendia. A penumbra nos envolvia. A magia era indescritível. O relógio era eterno. Não existiam crimes em nosso mundo, muito menos culpados, porque éramos cúmplices dos nossos feitos em um lindo cenário.

Envolvidos pela maldade de um vinho, mergulhamos no céu e nos afogamos nas nuvens, voamos no mar e aterrissamos no infinito do horizonte.

Naquela noite, fazíamos parte de um romance, cujo o autor, nem eu mesmo sabia.Só sei que fechamos conjutamente o livro, que tinha como título: "Eu e tu, nós dois. Agora, simplesmente nós...".

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vidas

Quando os sonhos de vidas se transformam em realidade, os sonhos deixam de ser sonhos, para se transformarem em emoção, que voa no sentimento bonito da paixão.
As vidas são nascidas em ventre de outras vidas, que sorriem de alegria, porque vida é sempre vida e nossas vidas são comemorações pelo amor de duas vidas.
Na passagem do mar ao céu, misturam-se as cores na linha do horizonte e encontra-se um Sol que nos dá mais vida as nossas vidas.
Não haveria tanta vida em forma de sorrisos se não houvesse o amor, o sentimento mais nobre do mundo.
Já o mundo esse aquário de peixes vitais permite que o seu nome seja portador de sorrisos fluentes nas ondas de felicidade e alegria.
No desenho de uma rosa em um quadro está uma rosa que perfuma e vive em um jardim. Essa rosa é mais uma vida entre muitas vidas, encantadora e deslumbrante ao olhar, ao sentir e ao viver. Essa rosa também nasceu de duas vidas...
Encorajados por uma palavra viva, muitos foram atrás de suas vidas nos braços de outras vidas. Eles descobriram felicidade ao saberem que a vida não pára e que um grito se ecoa no espaço, dizendo:
_Viva a sua vida intensamente! Pois a vida é linda,é uma sobremesa deliciosa que contém uma receita especial, uma sinfonia de fluidos de êxtase e impacto deslumbrante, os quais invadem as palavras, e as palavras, ao ganhar vida, chegam a conquistar mais, e mais vidas...

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

sexta-feira, 18 de março de 2011

Um papel suspeito


Uma mulher enciumada encontrou uma cartinha, escrita em próprio punho pelo marido, no bolso esquerdo da camisa dele, a qual dizia:

“Minha querida C...”

“Você escreve, escreveu e escreverá o meu nome na História. Com suas falhas, em alguns momentos, manchou o meu nome, porém foi fundamental nos momentos de felicidade ao assumir os meus empregos. Esteve presente e sempre estará perto do meu coração.
Sei que muitas vezes, lhe deixei de lado, mas logo logo sentia a sua falta. Quase que eu ia lhe perdendo para outra pessoa. Só que isso não acontenceu, porque cuidei logo de agarrá-la de volta.
Você é testemunha de meus sentimentos. Sempre me guiou pela minha mão direita. Já lhe vi cair, mas eu lhe ergui. Você é muito importante para mim.”

A esposa imediatamente se dirigiu ao marido e lhe disse:
_ Mas o que é isso, você está me traindo com outra?
O marido bem tranqüilo e com a voz suave e rindo daquela situação toda disse:
_Calma amor, não é isso que você está pensando....
_ Não é isso o que?
_Calma! Desdobre o papel e veja a continuação do artigo que eu irei participar do concurso de “cartas”!
A mulher desdobrou o papel e viu que havia outras linhas escritas que diziam:
“Você escreve para mim neste momento, assim como eu escrevo para você, pois nós nos completamos. Somos movimento e funcionalidade, sentimento e grafia, amigos e amantes pela vida...”

“Obrigado por tudo isso a você, minha querida C..., minha querida Caneta...”

_Ufa! Você e seus escritos me deixam maluca.- depois ela sorrindo aliviada ficou rindo de tudo isso.

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

quarta-feira, 16 de março de 2011

Aprendendo Literatura com Max Gerhinger


Vou postar aqui um artigo do grande consultor empresarial e escritor Max Gerinhger, o qual se chama "As aves que aqui gorjeiam" do seu livro "Clássicos do Mundo Corporativo", vamos lá:



"As aves que aqui gorjeiam"

"No longínquo ano de 1843, o poeta maranhense Gonçalves Dias escreveu a célebre Canção do Exílio. Aquela do poema que diz: "Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá".



Na época, Gonçalves Dias não estava propriamente exilado. Havia mudado para Lisboa por causa de um objetivo bem definido: pretendia cursar a faculdade de Direito. Mesmo vivendo em um país onde se falava o idioma igual ao Brasil, Gonçalves Dias teve aquele poético surto de saudade. Mal sabia ele que, quase dois séculos depois, muitos brasileiros iriam começar a ter saudade do tempo em que se falava português em salas e corredores de empresas brasileiras.

Se hoje Gonçalves Dias fosse vivo, e trabalhasse por aqui, provavelmente escreveria um poema mais ou menos assim...

Minha empresa tem um office
Onde manda o CEO
Tem dez vice-presidentes
Cada um com assessor

Nosso budget tem mais profit
Nosso customer, relationship
O manager tem notebook
E o motoboy tem um bipe

Minha empresa tem call center
Stock option e bonus plan
Tem happy hour à tarde
E breakfast de manhã

O advetising tem mais recall
O marketing tem mais appeal
Everybody diz yes
E nobody dá um pio

Quase dois séculos depois, o mundo corporativo desmentiu Gonçalves Dias. Porque as aves que aqui gorjeiam, estão gorjeando como lá."


Max Gehringer

domingo, 6 de março de 2011

Um cinema em minha mente


O que você faria se tivesse de ir de um local a outro, para pegar, no seu destino, um ônibus? Você teria duas possibilidades: ir de trem ou ir correndo.
A primeira vista, a resposta seria "ir de trem", mas tem um detalhe, se você fosse de trem teria que aguardá-lo, pacientemente, na estação de Marcópolis e teria que torcer para que o ônibus atrasasse o seu horário para conseguir embarcá-lo.
Então, neste exato momento, vamos estreiar o nosso filme, cujos personagens principais são João Valente e a bela Vitória Celeste. O filme ocorre em uma cidade chamada Marcópolis, um promissor município que faz jus ao seu fundador.
No início do filme, João Valente se deparou com a pergunta inicial deste escrito. Sua missão era tentar pegar um ônibus a 15 km do local onde estava, para logo em seguida se dirigir ao aeroporto, onde encontraria a sua amada Vitória Celeste, que viajaria de avião para as Ilhas Valerianas. Ele tinha de entregar um presente para ela, pois eles estavam brigados e esse presente era alianças de noivado.
João Valente poderia se utilizar da paciência para aguardar o trem, que só chegaria depois de 30 min, porém ele teria que contar com a sorte do ônibus se atrasar para dar certo o seu plano. Teria que pensar rápido. Então optou por agir e saiu correndo como um louco.
Na sua corrida rente aos trilhos do trem, chegou a cair, o que lentificou a sua corrida. Na sua mente, vieram vários pensamentos negativos que ele não iria conseguir chegar no local previsto.
Estava bastante suado, dispneico e ansioso. Foi quando na tela de cinema de minha mente, lá vinha o trem, que passou por ele.
João Valente não desistia tão facilmente de seus planos e decidiu tentar um plano B, almejando chegar correndo à próxima estação de trem, na qual o trem ficaria parado por cerca de 10 min, para o embarque e desembarque dos passageiros. Nos seus cálculos, ele teria cerca de 14 min para chegar lá e 1 min para comprar o bilhete e pegar o trem.
Ele correu intensamente, para pegar o trem. Teria que contar com a sorte de o ônibus se atrasar. A sua mente falava:
_ O ônibus vai se atrasar, o trem vou alcançar e vou chegar lá...
E ele conseguiu pegar o trem. Agora só faltava agarrar o ônibus que lhe conduziria a sua amada, a bela Vitória Celeste.
O trem parou próximo a estação rodoviária. Ele corria intensamente... Chegando na rodoviária, dirigiu a palavra a um senhor, perguntando se o ônibus das 16h já tinha partido ao aeroporto.
O senhor disse:
_ Já foi, meu filho.
Neste momento, no cinema de minha mente, a platéia fez um ar de comoção, pena e descontentamento.
Mas João Valente não desistia tão facilmente, dirigiu-se ao local de vendas das passagens e se informou com o vendedor da empresa. Foi neste instante, em que ele descobriu que o ônibus tinha se atrasado e que ainda estava para chegar e que o ônibus que já tinha partido era o de 15:30.
No cinema, todos estavam ansiosos para descobrir como seria o final emocionante daquela história.
O ônibus das 16h chegou, ele tentou comprar a passagem, mas todos os lugares já estavam ocupados. E agora?

João ficou decepcionado, porém já que ele não poderia ir, pelo menos a sua encomenda poderia ser transportada pelo ônibus, pois ele tinha encontrado uma pessoa conhecida dele no ônibus.
Ele logo logo fez uma carta e mandou a pessoa entregar junto com o presente a sua amada. Uma música bem bonita surgia no cinema de minha mente, momento em que Vitória Celeste se encontrava no aeroporto, prestes a pegar o avião.
A pessoa portadora da encomenda que também conhecia Vitória, chegou em tempo e entregou-lhe o presente e a carta.
Ela abriu a carta que dizia:
"Meu amor, tive que decidir entre a paciência e o agir e decidi por correr ao seu encontro, porém no meio do caminho, os planos mudaram pois levei um tombo, tentando correr mais rápido que um trem, porém consegui pegá-lo em um outro momento. Fui teimoso em persistir em explicações de um ônibus que fora embora e descobri que ele não tinha ido, porém estava lotado, impedindo o meu encontro com você. Encontrei um anjo que lhe entregasse essas alianças e agora me encontro distante de você, porém ansioso em querer lhe dizer que a amo muito e que queria ser o Valente na Vitória do seu Céu" Ass.: João Valente
A plateia não se conteve em lágrimas, soluços de emoção, nesta passagem...
Vitória Celeste abriu a caixinha que estava enrolada em um papel branco com uma fita vermelha e viu as alianças e disse baixinho:
_ Ah, como eu queria que você estivesse aqui e me desse um abraço.
E só foi ela terminar de dizer essas palavras, João Valente estava logo atrás dela, como em um passe de mágica. Coisas de filme de minha mente, minha gente. Ele teve a sorte de pegar uma carona com um caminhoneiro na estrada, para ir de encontro a sua amada.
Os dois se abraçaram, e ela disse o seu sim a João. Na tela do cinema apareceu um "fim", que para mim, não era o fim mas o começo de reflexões ainda por vir.
A plateia aplaudiu o emocionante filme que passara no cinema de minha mente...


Marco Valério Gomes Batista Gonçalves (06/03/2011)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ventos Nortes

Nos momentos de dificuldades, abra um livro e veja a tática de sua vitória.
Não deixe que a luz da vela se apague, pois não conseguirá ler o final-feliz de sua história.
Se a história for muito longa, e tiver pressas em terminá-la, acalma-se! Curta cada parágrafo. Leia atentamente. Afinal, a gente não apenas ler o que gosta. Lemos também aquilo que não gostamos com equilíbrio e determinação.
Aproveite! Desfrute as leituras do Mundo! Construa o seu próprio romance! Porque por mais que se chore, não existem lágrimas suficientes para suprir a última oportunidade derramada.

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves.
(escrito em 1996)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Da mão ao coração

Desejo-te sentir
Como a areia sente o mar.
Desejo-te sequestrar
E te encher com todas as defesas.
Desejo juntar infinitas estrelas
E me defrontar com uma única estrela.

Desejo somente a ti, princesa,
No aconchego de um paraíso,
Desejo entrar no teu sorriso
E, no teu batom, ser paciente.
Desejo fingir que sou gente,
Para encontrar um ombro discreto.

Desejo ser o amor náufrago secreto,
Para ser salvo pelos navios.
Desejo-te beijar os lábios
E ouvir os teus "uis".
Desejo-te ser a luz,
Para entrar nos teus olhos.

Desejo-te e te molho
Com as águas do moinho.
Desejo viver um sonhozinho,
Quando entrando em um teatro,
Desejo subir no palco,
E tu seres o meu "show".

Não desejo mais, eu devo...

Devo ser a palavra errada,
Para receber o teu acerto.
Devo perder o medo
E me erguer de um abismo profundo.
Devo conquistar o mundo,
Pois o mundo és tu.

Devo abrir novos tudos
E apagar velhos erros.
Devo ser o mineiro
E explorar a tua mina.
Devo escrever o porquê que não termina,
Porque tu és o porquê que me fascinas.

Eu não devo, eu posso...

Posso fazer, da ficção,
Algo mais que real.
Posso dar-te minha mão
Suja de tinta segurando uma caneta.
Posso fazer voar essa caneta num céu branco
E fazê-la aterrissar no teu coração.



Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

(poema escrito em 1996, publicado no Jornal do Centro Acadêmico de Medicina UFPB em 1999)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Passado

Voltando ao passado.

Encontrar soluções

Refletir situações já vistas

Revisar velhos erros,

Muitas vezes é preciso

Que para enfretar desafios

Eu insisto em dizer

Mas como sou teimoso,

E o que nunca passaria.

O que se passou

Por não viver

Eu seria um perdedor

Não passasse mais

Se tudo que passou


Presente


Calma! Eu não estou ficando doido... Experimente, partir do "Presente", lendo os versos do fim ao começo, para chegar ao "Passado". Assim você encontrará a solução para os seus problemas, bem como a elucidação deste poema.


Marco Valério Gomes Batista Gonçalves.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A erotomania na literatura: o que é isso?




É uma forma de erotismo extremamente mórbida. O indivíduo é levado por uma ideia fixa de amor e tudo nele gira em torno desta paixão, que domina e avassala os seus instantes. É hipérbole de amor platônico.

Ball define como um amor etéreo, ideal, puríssimo, absolutamente isento de qualquer desejo carnal, e o amante adora excessivamente a alma da mulher, distinguindo duas formas de erotômanos: uns tímidos e discretos; outros inoportunos e intransigentes.

A paixão surge apenas de um olhar, de um aceno, de um simples trejeito, vivendo de sonhos, guardando para si o segredo e a grandeza desse amor.


Um exemplo típico da erotomania nos é dado por Miguel de Cervantes de Saavedra, na figura do seu valente e engenhoso fidalgo de la Mancha - o Don Quixote, apaixonado perdidamente pela rústica e grosseira Dulcineia de Toboso, transformada pelos seus pobres olhos na mais linda e venturosa princesa. E o valoroso Cavaleiro da Triste Figura viveu toda a sua existência nessa paixão pura e desinteressada.


Outro caso de erotomania é o de um poeta de Pernambuco, descrito por Viveiros de Castro (in Atentados ao Pudor, Rio de Janeiro: Livraria Editora Freitas Bastos, 1943), que descreve um moço de talento, de regular instrução, poeta de fulgurante imaginação, chegando a receber a reverência da crônica de sua terra. Depois de alguns excessos de alcoolismo e onanismo, ficou convencido de que uma americana, muito linda e rica, o amava perdidamente. Falava dessa beleza e desse amor de uma forma pura e inocente, porém nunca se viu essa americana.


Segundo Esquirol, o erotômano é aquela pessoa de olhar vivo e apaixonado, que se esquece de si mesmo, dedicando-se ao objeto de seu amor um culto superior, secreto, sofrível e servil, contemplando uma perfeição, geralmente imaginável. Ele evita censuras, expõe-se ao ridículo público, tudo por um amor sedento e uma paixão incontrolável.


Esse relato é encontrado no livro do doutor Genival Veloso de França (Medicina Legal), o qual é rico pela grandeza de sua explicação, utilizando-se de uma linguagem poética para explicar com maestria esse transtorno da sexualidade, que já serviu para muitos e muitos escritores como forma de inspiração.



França, G. V. Medicina Legal- 8. ed.- Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O que se apaga se paga




Da noite do dia 03 de fevereiro adentrando à madrugada do dia 04, deste ano, houve o apagão geral no nordeste brasileiro, gerando grandes transtornos econômicos, políticos e sociais.

Fico imaginando o quanto de produtos perecíveis que necessitam de armazenamento adequado e refrigerado, não se foram perdidos.

Os geradores de energias nos hospitais trabalharam muito, porém insuficientes para aguentar uma demanda alta de consumo de energia para alimentar aparelhos que servem para salvar vidas. Isso, creio eu, foi responsável por muitas mortes em nossas casas de saúde.

E a desordem correu solta, pois lendo pela internet hoje, já que não se havia jornal impresso pela manhã, pelo o apagão, ocorreram vários motins em presídios, assaltos nas ruas, enfim, uma total anarquia.

Esse fato não deve ser mais repetido em um país que sediará os jogos olímpicos e uma copa mundial de futebol.

A culpa de tudo isso? É de São Luiz Gonzaga. O santo? Não.

São Luiz Gonzaga é a substação onde houve oscilação de energia elétrica no município de Jatobá-PE, porém o nome foi herdado do santo do mesmo nome, São Luiz Gonzaga, padroeiro da juventude cristã.

Enquanto isso, o ministro Lobão deve está escapando de muitos caçadores e cassadores, pois é o lobo-mau desta história.

Bem, acho melhor parar por aqui, pois já estou com receio de ter neste exato momento um outro apagão e não poder enviar este texto...

Mas antes, só queria dizer que o que houve ontem foi uma vergonha para uma nação tão rica e ao mesmo tempo tão pobre, porém como já disse no título inicial: "O que se apaga se paga..."



Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Uma lição



Em alguns momentos de nossas vidas, identificamos uma determinada ocasião ou um certo momento ou fato que nos inspira a uma reflexão.

Lembro-me de uma passagem de minha vida bastante significativa e gostaria de dividir essa minha experiência com alguém que por ventura me ler em algum precioso tempo vital.

Quando o meu pai era vivo, ele plantou um pé de cajá em um latão vazio de dezoito litros de tinta, com adubo, areia e barro, com o objetivo de um galho daquela árvore prosperar.

Todos os dias, ele aguava a planta, e eu acompanhava angustiadamente para ver logo o desenvolver da mesma. Só que tudo era muito lento e, em alguns momentos, eu pensei que a plantinha iria morrer.

Transcorreram uns dois meses, porém ela não se desenvolvia. Tirei uma pequena lasquinha dela e percebi que estava viva, pois estava verde.

A minha alegria ocorreu quando no seu caule começou a sair um tímido broto de um novo galho, para em seguida surgir pequeninas folhas verdes.

Mas minha ânsia continuava, porque queria ver o desenvolvimento rápido da mesma ou quem sabe colher os primeiros frutos.

Cinco meses se passaram e o seu desenvolvimento era discreto no latão. Aquela lição serviu para eu ter mais paciência diante as circunstâncias da vida, mas como sabemos, não basta ter apenas paciência, temos também que agir.

Em um determinado dia, meu pai teve a iniciativa de transportar a planta para o solo do muro de nossa casa. Sabe o que aconteceu?


A planta se desenvolveu plenamente... Quer lição mais linda que essa? Deixo que o leitor tire suas próprias conclusões plantando suas próprias lições...




Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

domingo, 30 de janeiro de 2011

Domingo e Segunda

Diálogos entre dois personagens da semana:


_ Eu sou o domingo, o dia do descanso para muitos. Sou da paz e da tranquilidade, pois sou o responsável pelo sossego...


_ Eu sou a segunda-feira, sou corajosa como nunca, sou do trabalho, mando acordar todo o mundo para trabalhar...


A segunda é brava, o domingo é manso...


Uuhhhsssiiiiuuu! Triiiiiiiiimmmmmm!!


Ressono no domingo e me acordo na segunda...


Enquanto isso, diálogos vão surgindo em meus sonhos...




Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sentimentos esparsos

Respiro o meu nome

Falo um sorriso

Cheiro palavras

Escrevo um olhar

Fotografo sentimentos

Choro o passado

Degusto o presente

Corro ao futuro

Me espelho no espelho

Me molho em um desejo

Contraceno em segredos

Me escondo em mistérios

Sigo com o tempo

Me aprofundo em circunstâncias

Leio lições desconexas

E o resumo da obra

São sentimentos esparsos

Conectados em um sentido

Chamado paixão.


Marco Valério Gomes Batista Gonçalves

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Então, estou lendo...

Decidi dar um passeio pela rua e durante o mesmo fiz uma brincadeira comigo mesmo: com os anúncios escritos nos lugares, eu teria que fazer o que eles me mandavam.

Vamos ao passeio!


Sai do meu apartamento e já na rua encontrei uma casa que tinha a placa "Cuidado com o cão", então passei na ponta dos pés em frente desta casa. Mais a frente encontrei um "Sorria você está sendo filmado", então eu abri um sorriso e mostrei todo o meu talento de ator ao ser filmado.


Continuando o passeio, vi um outdoor de uma palestra de motivação, o qual dizia "Você é especial", aí eu disse: "Eu sei disso, claro.". Passei em frente de um restaurante e vi um "Proibido fumar" e daí eu não fumo mesmo. Atravessei a rua e encontrei um "Homens trabalhando" e eu naquele momento também estava trabalhando como um jornalista em um passeio especial.


Cheguei à calçadinha da praia e recebo de uma senhora, um panfleto que dizia: "Jesus te ama" e eu O amo também.


A caminhada era longa, na esquina da rua, avistei uma placa de "Pare" e parei por cinco segundos. Na minha andança encontrei um vendedor de côcos que tinha os dizeres "Fiado só amanhã" na sua venda, então pensei comigo: "E o meu dinheiro pra comprar o seu côco também só amanhã.".


Estacionado havia um táxi na minha frente, que tinha um "Ligue táxi", então peguei o meu celular e liguei para o número que estava no táxi, quando uma moça me disse:


_Táxi para onde, senhor?


_Pra canto nenhum, eu só liguei porque o anúncio me mandou...


Ainda com o celular na mão, acabava de receber uma mensagem nele:" Oi, ainda não identificamos o pagamento da sua fatura vencida no dia 18" e muito menos eu.


Ainda, bem que neste passeio, não vi nenhuma mensagem ruim... Já pensou? Sabe o porquê?


Porque como a brincadeira era comigo mesmo, antes de escrever este texto, eu escrevi em minha agenda: "Crie uma história fantástica e depois a leia no melhor Blog da net!"


Então, estou lendo....


Marco Valério Gomes Batista Gonçalves (25/01/2011)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011


Tem um estorinha do Millôr, a qual mostra a utilização do recurso da repetição, em que ele repete várias vezes a palavra galinha, dando a ela bastante ênfase, fazendo assim vários pontos de ligação no texto em torno dela. Os recursos de repetição são a paráfrase (ao voltar a dizer o que já foi dito antes- utilizando expressões como isto é, ou seja, quer dizer), o paralelismo (unidades semânticas similares deve corresponder uma estrutura gramatical similar, não tendo um padrão gramatical rígido, ele tem uma ordem estilística-ex.: É conveniente chegares a tempo e trazeres o relatório pronto) e a repetição propriamente dita (vide texto abaixo), conforme já chamava à atenção para isso, Irandé Antunes em seu livro. A estorinha é a seguinte:

"A senhora, uma dona de casa, estava na feira, no caminhão que vende galinhas. O vendedor ofereceu a ela uma galinha. Ela olhou para a galinha, passou a mão embaixo das asas da galinha, depois tornou a colocar a galinha na banca e disse para o vendedor:
_Não presta!
Aí o vendedor olhou para ela e disse:
_ Também, madame, num exame assim nem a senhora passava!"

Millôr Fernandes

domingo, 23 de janeiro de 2011

Piada improvisada



A piada também não deixa de ser um gênero literário, pois faz parte da nossa cultura. Às vezes, no nosso cotidiano aproveitamos fatos interessantes para fazer um bom humor.

Eu vasculhando minhas fotografias passadas, econtrei esta, que mostra o Xamegão há uns 2 anos, a festa junina de minha Cajazeiras.

Naquele dia, aconteceu algo interessante. Estava eu, meu irmão, que também é médico e a minha família. Quando uma pessoa, que estava na festa popular, reconheceu meu irmão e começou uma entrevista sem fim. Passaram-se cinco, dez e quinze minutos. Ela falou de sua doença a meu irmão, da sua família. Enfim, as pessoas em algumas vezes pensam que médico é para servir a qualquer momento e que não tem momento de diversão. Foi quando notei que a pessoa queria fazer uma consulta ali naquele momento. O meu irmão sempre educado, disse-lhe para se falar depois no consultório que é o local adequado.

Depois de uns vinte minutos de conversa, notei que meu irmão estava já sem paciência. Foi quando surgiu uma briga perto onde nós estávamos, logo desmanchada pela polícia.

Aí, a mulher aproveitou aquela cena para disparar:

_Eh, a polícia tá boa mesma... Já ontem, um homem ia metendo uma garrafa de cerveja na cabeça do outro... Aí quando ia acontecendo o feito: -Paaahhh- a polícia pega no punho dele impedindo o pior...

Neste, momento, quem já não aguentava com aquela falação toda era eu. Foi quando disparei:

_ Senhora, eu também tenho uma história parecida. _ pensei rapidamente e criei uma estória, cujo objetivo era de uma forma engraçada passar a ideia que ela estava sendo incômoda. Então, continuei:

_ Pois, teve um São João, em um sítio aqui perto, em que um homem pegou uma garrafa de cachaça e ia largando em uma velhinha. Foi quando de repente:-Paaahhh!- neste momento fui interrompido por ela:

_ A polícia pegou no punho dele?

Eu disse:

_ Não! Pois num era que tinha um bêbedo atrás deste homem, segurou no seu punho e disse que não era pra quebrar a garrafa nãoooo, pois ainda havia um restinho da pinga...

Rapaz, a mulher olhou pra mim com cara de muitos inimigos e foi embora...

Depois, começamos a rir desta situação inusitada.


Marco Valério Gomes Batista Gonçalves (23/01/2011)
Foto por Marco Valério 2008.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.


Manuel Bandeira

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Escrever



Escrever é uma atividade que se manifesta em gêneros particulares de textos, isto é, os textos não têm a mesma cara. Não têm o mesmo esquema de sequenciação, o mesmo conjunto de partes ou a mesma forma de distribuição dessas partes.


Uma carta, um requerimento, uma ata, uma declaração, um comentário, uma notícia, um aviso, por exemplo, não começam do mesmo modelo. Há esquemas típicos para cada um desses gêneros; uns mais flexíveis, outros mais rígidos. Por vezes, a criatividade do autor se expressa. exatamente, pela quebra desses esquemas típicos. o que, normalmente, acontece, sobretudo no âmbito da produção literária.


A verdade é que, fora da linguagem com função poética, não é usual que criemos nosso próprio modelo de texto. Como em outros domínios sociais, sujeitamo-nos aos esquemas convencionais, definidos institucionalmente e legitimados pela sua própria recorrência. Saber usá-los constitui uma exigência do mundo letrado em que circulamos; certamente, essa é a verdadeira competência que cabe à escola desenvolver.


Daí, a conveniência de se providenciar a entrada na escola de gêneros textuais diferentes, levando em consideração aqueles que, de fato, aparecem socialmente. Acabar-se-ia, assim, com aquela prática amorfa de escrever textos que parecem não pertencer a nenhum gênero reconhecível.


ANTUNES, I. Lutar com palavras: coesão e coerência. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Uma homenagem a São Bento-PB


No dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade de São Bento-PB, há sempre uma grande festa lá, na Capital Mundial das Redes.
Faço esta homenagem, porque foi naquele município do sertão, de gente hospitaleira e acolhedora, de pessoas amigas e trabalhadoras, onde comecei a trabalhar como médico.
O momento registrado nessa fotografia era da minha despedida, uma festa oferecida na casa do amigo prefeito Jacy de Sousa, o nosso Galego de Sousa. Fiquei muito contente, pois ali estavam pessoas importantes da cidade: os vereadores, os secretários, os amigos da saúde, da educação, empresários, entre outros amigos...
Na foto, estou ao lado do prefeito, registrando os meus feitos médicos, durante o meu período lá, e logo depois, pedi aos presentes para declamar uma humilde poesia, que era mais ou menos assim:


Poesia de despedida à capital mundial das redes

(I)
Estou partindo daqui,

A terra mundial das redes,

São Bento da Paraíba,

Capital de quem tem sede

Pelo trabalho nos teares

Ou num caminhão Mercedes.



(II)
Saio com coração partido

Com alegria no meu peito

Pelos sonhos repartidos,

Concretizados ou refeitos,

Nas ações da Medicina

Que as cumpri com respeito.



(III)
Antes era um povoado,

Chamado de Cascavel,

Às margens do rio Piranhas,

Na imensidão do teu céu,

Brejo do Cruz era teu dono,

Mas perdeu este troféu.



(IV)
Um padre te nomeou

Com o nome de São Bento,

É um nome de muita fé,

Que continua no momento.

Até o nosso santo papa

Possui o nome de Bento.



(V)
Não se pode esquecer

Do luar do teu sertão,

Das festas maravilhosas,

Dos irmãos de coração.

Todos vistos em São Bento,

Com toda admiração.



(VI)
Tua gente trabalhadora

É um povo hospitaleiro.

As mulheres desta terra

Tem o sangue brasileiro.

A beleza feminina

Tem quentura do braseiro.



(VII)
Chegando neste lugar,

Vi uma bela arquitetura.

As motos em ziguezague

Na praça da prefeitura,

Os carros novos nas ruas

E a polícia na viatura.



(VIII)
Na ponte do São Bentinho,

Passei muitas vezes lá,

Com a equipe de trabalho,

Íamos todos trabalhar.

E, depois do fim do dia,

Mudava o Sol de lugar.



(IX)
Nunca ia imaginar

Que aqui trabalharia.

E é com satisfação

Que parto com alegria,

Pelos amigos que ouvem

Esta minha poesia.



(X)
Agradeço ao meu Deus

E a São Sebastião.

Agradeço aos são-bentenses

E digo com emoção:

Foi um prazer conhecê-los.

Levo vocês no coração.



Marco Valério Gomes Batista Gonçalves
(médico e poeta)

São Bento, 31 de maio de 2006.
Foto por Rogério Paiva

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Agradecimentos pelas lindas mensagens sobre meu aniversário


Logo cedo, deparo-me com os primeiros parabéns, encontrados nos sites de relacionamentos da net, como é bom, não é? Inclusive fui presenteado com essa belíssima ilustração-arte acima do amigo Claudiomar Rolim do Blog "O último dos moicanos". Brigadão!
O primeiro telefone foi de minha mãe, que me cobriu de bençãos. Do meu irmão, recebi uma voz de emoção. Da minha família por telefone recebi carinho. Dos amigos recebi desejos de paz, vida longa, sucesso e prosperidade.
Emocionei-me com cada mensagem escrita, com cada mensagem falada, com cada mensagem, à distância, de oração. Estou muito feliz, neste momento, pois tenho a certeza de que não estou só, porque existem várias pessoas que acreditam em mim, as quais torcem por mim e me amam de verdade.
O meu muito obrigado a todos vocês! Abraço carinhoso!
Marco Valério Gomes Batista Gonçalves (19/01/2011)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Oração poética


Ó mestre, nesta minha oração, venho agradecer por todos os sorrisos que já foram-me dado, bem como por todas as lágrimas que me fizeram encontrar a superação e me tornaram mais forte.
Peço perdão dos meus pecados, pois serviram como lições-recados, para que eu não cometesse novos erros. Peço proteção minha e dos meus entes, dando-nos muitos anos de vida. Desejo muita paz para os meus amigos, bem como muita reflexão para meus amigos "distantes".

Livrai-nos de todos os males, de todas formas de calúnias e injustiças. Guiai-nos sempre pelo caminho da retidão. Dai-nos a maior fortuna que um ser humano pode ter: a saúde, para que depois de uma vida longa em terra, nós possamos desfrutar da vida eterna. Amém
Marco Valério Gomes Batista Gonçalves (18/01/2011)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Atenção! O leão do circo está solto!

Ao chegar do colégio, na minha infância, ia almoçar e logo assistir à tv. Gostava de ver o Chaves e outros desenhos animados interessantes.

E eu observava que alguns desenhos animados repetiam uma temática engraçada, que era a de um leão que fugia de um circo. Aí, ou através do rádio ou da tv no desenho, o locutor divulgava a fuga do leão:

_Atenção! Atenção! Acaba de fugir do circo um perigoso leão! Tenham muito cuidado...

Era mais ou menos assim. Eu achava o máximo. Depois, o leão aparecia na casa do personagem e ia se desenrolando a estória. Tinham determinados momentos, em que até imaginava que o leão estivesse dentro da minha casa, no meu mundo real ilusório infantil.

E a estória não pára por aqui não. Quando chegava um circo na minha cidade, lá no meu sertão paraibano, sempre, tinha a turma que dizia que o leão tinha fugido. Aí eu ficava apavorado (risos).

Hoje, nesta vida de gente grande. Percebo que aquilo que o locutor do desenho animado dizia era quase verdade, pois ao nosso redor no mundo animado atual não tem apenas "um" leão não, tem vários, prestes a nos devorar. E olha, que não é só leão não, tem também vaca, cobra, veado, hipopótamo, jacaré, bicho-preguiça, um verdadeiro zoológico animado.

E, para vocês, meus amigos leitores, eu tenho uma notícia importante:

_Atenção! Atenção! Acabam de fugir todos os bichos do Beto Carrero World para a sua cidade! E cuidem em acreditar se não o bicho vai pegar.

Marco Valério Gomes Batista Gonçalves (17/01/2011)